Serra da Estrela – BTT COM A(L)TITUDE

A montanha mais alta de Portugal Continental é um território privilegiado para atividades de ar livre, e o BTT não podia, de maneira nenhuma, ficar de fora. A partir do Hotel Inatel de Manteigas fomos descobrir alguns trilhos da Serra da Estrela.

Texto: Pedro Pires Fotografia: João Carlos Oliveira

Situada no Vale Glaciar do Zêzere, Manteigas está bem enquadrada por montanhas altas, por isso os desníveis acentuados estão garantidos.

Preparámo-nos para as pedaladas do dia com a ajuda do belo almoço servido no Hotel do Inatel e fizemo-nos à estrada, literalmente. A temperatura máxima prevista para esse dia era de cerca de 20º, mas as manhãs serranas são frias, por isso íamos preparados para tudo.

Para se chegar ao percurso moderado sugerido no site Bikotels.com há que pedalar até ao Covão da Ponte, e a melhor opção é pelo alcatrão.

São 8,5 km sem grandes desníveis e com boas paisagens que se fazem tranquilamente e servem de aquecimento para a volta circular que passa pelo Corredor dos Mouros. Sem grandes inclinações, este percurso pode ser feito por betetistas menos experientes ou ciclistas recreativos, até porque o nível técnico também é baixo, passando-se sobretudo por estradões.

Com a subida em alcatrão e uma descida técnica até Manteigas (integrada no percurso que fizemos no nosso segundo dia na Serra da Estrela) já se tem um programa para praticantes avançados, apesar de só se percorrerem cerca de 25 km.

Para o nosso segundo dia tínhamos planeado uma verdadeira volta épica. O percurso da Taça de Portugal de Enduro foi o preferido dos atletas desta modalidade em 2015 e vai ser incluído na lista de percursos sugeridos na rede Bikotels. Podemos partir bem perto do edifício principal do Hotel, mais precisamente na Casa da Roda, a unidade em que ficámos alojados, e subir às Penhas Douradas, a 1300 metros de altitude.

Depois de um par de quilómetros em estradão, entra-se na primeira descida do dia. São 500 metros de desnível de regresso a Manteigas, por trilhos bastante técnicos e calçada romana que vão fazer as delícias dos mais bem preparados. Há que ter atenção em algumas secções, principalmente nas transições do trilho para o asfalto, devido às valas de escoamento da chuva.

Rapidamente se chega à vila e não há alternativa senão subir, desta vez em direção ao Covão da Ponte pela N232. As rampas de asfalto não representam grande dificuldade, mas tratando-se de um percurso de enduro, há que dizer que rolar com bicicletas de 160 mm por ali acima não é tão fácil como se fossemos aos comandos de uma Colnago topo de gama.

Antes de descermos para o parque de campismo, o track de GPS encaminhou-nos encosta acima até à segunda descida do dia. Mais uma vez, pouco havia a apontar a este segmento da volta. Um singletrack à saída do pinhal, por entre vegetação rasteira, levou-nos a cruzar a estrada, para depois entrarmos numa descida muito física, que desembocou em belíssimos bosques pintados com cores outonais, com algumas zonas técnicas e inclinadas que nos levaram à ponte sobre o Zêzere mesmo antes de Manteigas.

Toca a subir mais uma vez, com os castanheiros a cederem aos caprichos da estação e a deixarem tombar folhas alaranjadas, até se chegar a um estradão relativamente plano que nos leva de volta à Casa da Roda. A partir daí é sempre a subir até ao topo do último singletrack do dia.

Foi difícil encontrar a entrada para a última “especial” do dia, porque as folhas tapavam o caminho, mas depois de alguma prospeção lá vimos onde passava o trilho.

A partir daí foi um festival de BTT, com secções apertadas entre árvores, zonas inclinadas e duras passagens por calçadas antigas até se chegar de novo à vila.

Há ainda um pequeno circuito urbano integrado no track de GPS, para quem ainda não esteja cansado depois destas três descidas brutais (com respetivas subidas, claro).

Este percurso tem cerca de 40 km e exige técnica e preparação física. Algumas secções pedem mesmo uma bicicleta de enduro para serem transpostas em segurança (a não ser que sejas um Schurter) e as subidas são longas, apesar de não terem muitas rampas exageradas. É um programa ideal para um dia inteiro de BTT, até porque com as passagens por Manteigas consegues abastecer-te com facilidade ou mesmo fazer uma paragem técnica para almoço num dos restaurantes da vila.

E se depois do banho já não quiseres mais sair do hotel, o Inatel proporciona-te excelentes menus de inspiração regional. É claro que a Serra da Estrela não se limita aos percursos de que aqui te falamos. Existem muitas opções para rotas longas e não podemos de deixar de te recomendar umas boas caminhadas por zonas onde nem a bicicleta chega. Se gostas de desafios, esta Serra é para ti.

 

 

“há que dizer que rolar com bicicletas de 160 mm por ali acima não é tão fácil como se fossemos aos comandos de uma colnago”

 

Inatel de manteigas

O Inatel de Manteigas situa-se à saída da vila, em direção à Torre, junto às Caldas. A sua localização
é privilegiada para umas férias com as mais variadas atividades, desde o ski às caminhadas, passando pelo inevitável BTT.
Mesmo ao lado encontram-se as Caldas de Manteigas, onde as águas termais captadas a 60 metros
de profundidade têm uma temperatura de 48º.

Preços: sob consulta
Site: inatel.pt
E-mail: inatel.manteigas@inatel.pt
Localização: 40º 23´ 10” N | 7º 32´ 43” O
Contacto: 275 980 300
Bicicleta: Para o percurso que recomendamos convém ter uma bicicleta com pelo menos 140 mm
de curso
Época: no inverno alguns caminhos poderão estar cobertos de neve
Onde comer: Restaurante Berne, Restaurante Paragem Serra Dalto, A Cascata

Site recomendado: www.portalserradaestrela.com

64 quartos; mesa de snooker; bar; restaurante; sala de jogos; capela; unidade termal; court de ténis;
sala de reuniões; wi-fi; aluguer de bicicletas; parque de estacionamento privativo.

 

PERCURSO

Moderado
Distância: 13,7 km Acumulado de subidas: 365 m

Este percurso inicia-se no Covão da Ponte, que pode ser alcançado pela estrada nacional 232.
No regresso a Manteigas há algumas descidas em estradão ou singletrack que podem ser incluídas.

Difícil
Distância: 44,6 km Acumulado de subidas: 1519 m

Desenrolando-se nas encostas à volta de Manteigas, este trajeto tem como pontos altos a subida
à Capela de S. Lourenço e a descida em calçada romana até Manteigas.