Roteiro – Casa da Serra – Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

A Casa da Serra não podia ter uma localização melhor. A partir deste confortável alojamento pode aceder-se à vasta rede de trilhos do Parque Naturas das Serras de Aire e Candeeiros. Não é preciso pedir mais nada…

Texto: Pedro Pires

Fotografia: Rui Botas

Não nos cansamos de ir à Serra de Aire e Candeeiros. Os montes que se estendem entre os distritos de Leiria e Santarém são riscados por quilómetros e quilómetros de trilhos que aliam o prazer da condução em BTT às paisagens únicas, oferecendo uma mistura entre a natureza e a intervenção humana capaz de impressionar os mais exigentes.

Se a isto juntarmos uma casa mesmo ao lado dos trilhos e um anfitrião de luxo, temos a receita para um par de dias muito bem passados.

Ao chegar a Casal de Vale de Ventos, aldeia situada a 15km de Alcobaça, basta seguir as placas e facilmente se descobre a Casa da Serra. À primeira vista, esta unidade de alojamento não sobressai: tem apenas um piso e está bem integrada na paisagem, construída com linhas simples e retas e recorrendo à pedra local.

Mas a orientação da construção e a vista do jardim não deixam margem para dúvidas: este Bikotel foi pensado para oferecer a melhor vista possível, sem nunca esquecer a funcionalidade, o conforto e o acesso privilegiado à Serra.

Quando chegámos, o proprietário já nos esperava, escoltado por mais três companheiros que iriam ser os nossos guias.

Feitas as apresentações, equipámo-nos, comemos uns pastéis de nata maravilhosos e fomos para os trilhos, ou seja, virámos à direita. Sim, basta sair pelo portão da Casa da Serra e virar à direita e entra-se logo por aqueles carreiros forrados a pedra que tornam o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros tão apelativo para os adeptos do BTT puro e muito duro.

O vento moderado colocava em andamento as pás das torres eólicas mesmo ali ao lado, o sol brilhava, a temperatura era amena… tudo perfeito!

Passado o Arco da Memória, fomos subindo e descendo trilhos e estradões em direção a Porto de Mós, sempre rodeados de antigos campos agrícolas e muros de pedra até chegarmos a uma das descidas mais interessantes do dia, uma pista de Downhill (que até ostentava uns saltos impróprios para as nossas bicicletas de XC) a terminar bem na ecopista de Porto de Mós, que resultou da reconversão do antigo Caminho de Ferro Mineiro do Lena numa rota que agora se pode percorrer a pé ou de bicicleta.

Decidimos fazer um pequeno desvio do percurso sugerido pelo site Bikotels.com para enfrentar uma dura escalada, seguida do respetivo singletrack a descer.

Subimos até aos moinhos que encabeçam a ponta mais extrema da ecopista e daí apanhámos um singletrack escalavrado que nos levou de volta à terra batida.

A parte mais dura do percurso vinha a seguir, com duras rampas umas atrás das outras. Felizmente, numa das mais inclinadas encontra-se o Sítio do Elias, uma pequena cabana com mesa, cadeiras e alguns utensílios de cozinha, ideal para uma refeição a meio da volta.

Até à Fórnea é quase sempre a subir, mas as vistas deste anfiteatro esculpido pela natureza nas encostas de calcário compensam o esforço. Mais uns trilhos entre muros e depressa estávamos a percorrer um dos trilhos lendários do PNSAC, a costa de Alvados.

O vale lá em baixo oferece um belo panorama, mas há que estar atento para não se escorregar para fora do trilho. A estreita faixa de terra não pode ser ultrapassada, sob o risco de se dar duas ou três cambalhotas encosta abaixo.

No final ainda há uma secção pedregosa e apesar de a maior parte do acumulado do dia estar vencida, a abundância de pedra não deixa as pernas e braços descansarem.

A reta final em alcatrão, com a respetiva subida até aos 497m da Casa da Serra, até sabe a descanso, tal é a coça que o corpo leva depois de tanta pedrada.

De volta à base, tínhamos um polvo no forno à nossa espera, regado com vinhos de gabarito, tudo cortesia do nosso anfitrião, que não poupou esforços para nos fazer sentir em casa.

Depois de 64km a pedalar por trilhos pedregosos, nada melhor que ter como campo base a Casa da Serra. O conforto do espaço é bem merecido e de bom grado vimos a salamandra a flamejar, enquanto lá fora o vento bufava furioso.

Fomos dormir e os restantes comensais ficaram até altas horas da noite na sala, mas nem a música a alto e bom conseguiu chegar aos nossos aposentos. Nota 10 para o isolamento acústico!

O segundo dia deste roteiro foi bem mais fácil. Após um belo pequeno almoço em que o pão caseiro da zona foi a estrela, descemos até à Chiqueda, para desfrutar de uns belos singletracks. Esta pérola está bem escondida e ninguém diria que mesmo ali ao lado da Nacional 1 se encontra uma rede de trilhos tão bonitos.

Rolámos em terra compacta, debaixo de um dossel de árvores, com alguns medronheiros a dar uns toques de vermelho aqui e ali e depois de uma subida em estrada e mais um outro corta-mato chegávamos a Alcobaça, onde demos por terminado o dia, mas antes da despedida ainda fomos brindados com uns pães da região para o caminho.

Não nos cansamos de gabar os trilhos da Serra de Aire e Candeeiros e desta vez descobrimos mais um alojamento privilegiado para a descoberta desta zona. A Casa da Serra não podia estar mais próxima dos trilhos e oferece tudo aquilo de que um ciclista precisa para recuperar depois de um daqueles empenos.

Havemos de lá voltar!

Casa da Serra

No alto dos 497 metros da aldeia de Casal de Vale de Ventos há uma construção que se impõe. A Casa da Serra possui uma localização privilegiada para a prática de uma série de atividades de ar livre. Aqui, até “ver as vistas” tem um significado especial. Do jardim pode ver-se a costa atlântica, incluindo a Nazaré, Peniche e em dias de céu limpo as Berlengas.

Berlengas é também o nome que foi dado à sala principal, com uma mesa para 16 pessoas, salamandra, aquecimento central, bar, sistema de som, televisão de ecrã plano e jogos de tabuleiro disponíveis. As amplas portas de vidro permitem o acesso fácil à piscina.

A cozinha de 15m2 possui todos utensílios de cozinha necessário à preparação de qualquer tipo de prato: cozer, fritar, assar, torrar, grelhar e refogar são tarefas asseguradas por equipamentos da mais alta qualidade, complementados por dois frigoríficos de grandes dimensões.

A casa da Serra tem nove camas e capacidade para 12 pessoas, distribuídas por três suites confortáveis e bem equipadas.

Instalada no jardim, a piscina oferece das melhores vistas da Casa da Serra e convida aos mergulhos depois de um dia exigente na estrada ou nos trilhos.

Preços: a partir de 150 euros (suite) ou 500 euros (casa)

Site: www.casadaserra.pt

E-mail: info@casaserra.pt

Localização: 39°28’44.2″N 8°54’07.4″W

Contacto: 966 019 881

Bicicleta: um “fully” de roda 29 era o melhor, mas qualquer bicicleta de XC se adequa.

Época: Primavera e outono

Onde comer: O Cabeço, Riu’s

Site recomendado: www.turismodocentro.pt